terça-feira, 30 de julho de 2013

Professor: profissão vítima





Sei que quando se fala de educação qualquer análise superficial destoa e pode parecer leviana.  Sei que o “buraco é muito mais embaixo” e a situação é bem mais complexa. Não tenho a intenção de apontar todos os problemas da educação e nem tenho a solução para tais problemas. Quero discutir aqui um aspecto que a muito me incomoda que é a questão da auto piedade que o professor (enquanto categoria) sente por si mesmo.


Sou educador e me incomoda quando na sala dos professores, ou fora dela, os colegas começam a brincar dizendo: “ ...e então o ladrão identificou que a mulher que iria assaltar é professora e disse ‘tome sua bolsa de volta e uns trocados para a senhora comer alguma coisa’”; ou então,”professor é uma categoria que não deveria pagar imposto de renda” .


Trabalhei em uma escola pública que uma colega vendia balas e chicletes no recreio. Como se já não bastasse assumir uma relação de clientelismo com os próprios alunos ela ainda mercava dizendo: “ajude a pró pagar o aluguel atrasado!!!”. 


Que moral tem um profissional que precisa da esmola do ladrão? Ou da isenção de IR do governo? Ou ainda dos míseros centavos de crianças e adolescente de bairro de periferia para pagar o aluguel? 


Não se trata de baixos salários, muitos colegas não fazem jus a eles. Sabemos que a licenciatura de muitos não foi opção, mas foi o vestibular que conseguiu ser aprovado. Outros colegas, depois de formados e aprovados em concurso nunca mais ocuparam os bancos  escolares na condição de alunos. Existem ainda os que não leem e os que batem no peito dizendo que não gostam de ler.


Não quero tablet, notebook, isenção do imposto de renda, meia entrada em cinema e teatro. Quero poder sacar com orgulho o meu cartão de crédito e pagar tudo que eu quiser comprar com o meu salário sem ter que trabalhar três turnos e ter que fazer “bicos” por fora para complementar a renda.


Temos que reivindicar melhores salários e condições, não por que simplesmente ganhamos pouco, mas por que a nossa profissão é a mais importante de todas e eu estou preparado para assumi-la. Merecemos condições melhores por que o futuro da nação depende da qualidade do nosso trabalho. Não é dizendo que somos miseráveis que vamos conseguir bons salários e condições dignas, pelo contrário, já que esse discurso reforça “uma condição que já conhecíamos a respeito do trabalho do professor”. 


Vamos denunciar as nossas mazelas, mas mantendo a dignidade. Vamos brigar por melhores salários e condições mostrando para a sociedade nosso valor.


Um comentário:

  1. Eu concordo com você, mas sempre penso: será que vamos conseguir ver essa situação mudar ou vamos ter que mudar de profissão para mudar a nossa situação? Triste, triste...
    Beijos

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