quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Onde estão os Amarildos?





A despeito do sumiço do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, na favela pacificada da Rocinha, no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral afirmou que “antes da UPP, sumiam 100 Amarildos todos os meses”.  Os comentários que se seguiram a essa reportagem do Uol Notícias me fizeram lembrar de um personagem de Chico Anysio , o político Justo Veríssimo que tinha como bordão: “Eu odeio pobre!”,  “ Eu quero é que o pobre se exploda!”.


Em outro momento, Caetano Veloso, em sua música Haiti já denunciava: “E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo/Diante da chacina/ 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos/.../E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos “.


O sumiço de um ou de cem Amarildos, a morte de um ou cento e onze presos e a nossa sociedade diz: “eu não me importo”; “não é comigo, ele era traficante”; “eu quero que pobre se exploda”. 



Nós elite, classe média ou não, pagadores de impostos, que conquistamos nosso patrimônio com tanto esforço, inventamos a miséria. A favela é nossa filha. Durante anos nos esforçamos para garantir a manutenção de uma ordem que apenas nos beneficiasse, quase nunca, pensávamos no coletivo e nos que estavam na periferia. Fomos, no mínimo, omissos.  


Agora, a favela nos incomoda. Os traficantes não são mais aqueles caras legais que nos forneciam o baseado nosso de cada dia. E os pobres? Os pobres querem ter direitos, querem poder andar livremente por aí, querem até uma tal de igualdade. Assim não dá! 


A nossa Constituição garante a qualquer brasileiro o direito à defesa e a uma pena justa prevista no Código Penal, mesmo que esse seja um Amarildo qualquer.

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