Em outro momento, Caetano Veloso,
em sua música Haiti já denunciava: “E quando ouvir o silêncio sorridente de São
Paulo/Diante da chacina/ 111 presos indefesos, mas presos são quase todos
pretos/.../E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos “.
O sumiço de um ou de cem Amarildos,
a morte de um ou cento e onze presos e a nossa sociedade diz: “eu não me
importo”; “não é comigo, ele era traficante”; “eu quero que pobre se exploda”.
Nós elite, classe média ou não,
pagadores de impostos, que conquistamos nosso patrimônio com tanto esforço,
inventamos a miséria. A favela é nossa filha. Durante anos nos esforçamos para
garantir a manutenção de uma ordem que apenas nos beneficiasse, quase nunca,
pensávamos no coletivo e nos que estavam na periferia. Fomos, no mínimo,
omissos.
Agora, a favela nos incomoda. Os
traficantes não são mais aqueles caras legais que nos forneciam o baseado nosso
de cada dia. E os pobres? Os pobres querem ter direitos, querem poder andar
livremente por aí, querem até uma tal de igualdade. Assim não dá!
A nossa Constituição garante a
qualquer brasileiro o direito à defesa e a uma pena justa prevista no Código
Penal, mesmo que esse seja um Amarildo qualquer.
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