Sei que quando se fala de
educação qualquer análise superficial destoa e pode parecer leviana. Sei que o “buraco é muito mais embaixo” e a
situação é bem mais complexa. Não tenho a intenção de apontar todos os
problemas da educação e nem tenho a solução para tais problemas. Quero discutir
aqui um aspecto que a muito me incomoda que é a questão da auto piedade que o
professor (enquanto categoria) sente por si mesmo.
Sou educador e me incomoda quando
na sala dos professores, ou fora dela, os colegas começam a brincar dizendo: “ ...e então o ladrão identificou que a
mulher que iria assaltar é professora e disse ‘tome sua bolsa de volta e uns
trocados para a senhora comer alguma coisa’”; ou então,”professor é uma categoria que não deveria pagar imposto de renda” .
Trabalhei em uma escola pública
que uma colega vendia balas e chicletes no recreio. Como se já não bastasse
assumir uma relação de clientelismo com os próprios alunos ela ainda mercava
dizendo: “ajude a pró pagar o aluguel atrasado!!!”.
Que moral tem um profissional que
precisa da esmola do ladrão? Ou da isenção de IR do governo? Ou ainda dos míseros
centavos de crianças e adolescente de bairro de periferia para pagar o aluguel?
Não se trata de baixos salários,
muitos colegas não fazem jus a eles. Sabemos que a licenciatura de muitos não
foi opção, mas foi o vestibular que conseguiu ser aprovado. Outros colegas,
depois de formados e aprovados em concurso nunca mais ocuparam os bancos escolares na condição de alunos. Existem
ainda os que não leem e os que batem no peito dizendo que não gostam de ler.
Não quero tablet, notebook,
isenção do imposto de renda, meia entrada em cinema e teatro. Quero poder sacar
com orgulho o meu cartão de crédito e pagar tudo que eu quiser comprar com o
meu salário sem ter que trabalhar três turnos e ter que fazer “bicos” por fora para
complementar a renda.
Temos que reivindicar melhores
salários e condições, não por que simplesmente ganhamos pouco, mas por que a
nossa profissão é a mais importante de todas e eu estou preparado para assumi-la.
Merecemos condições melhores por que o futuro da nação depende da qualidade do
nosso trabalho. Não é dizendo que somos miseráveis que vamos conseguir bons
salários e condições dignas, pelo contrário, já que esse discurso reforça “uma
condição que já conhecíamos a respeito do trabalho do professor”.
Vamos denunciar as nossas mazelas,
mas mantendo a dignidade. Vamos brigar por melhores salários e condições mostrando
para a sociedade nosso valor.
Eu concordo com você, mas sempre penso: será que vamos conseguir ver essa situação mudar ou vamos ter que mudar de profissão para mudar a nossa situação? Triste, triste...
ResponderExcluirBeijos