A Educação de Jovens e Adultos
(EJA), foi sendo moldada no Brasil a partir de 1934 com o Plano Nacional de
Educação que já estabelecia metas do ensino primário integral, gratuito e de frequência
obrigatória, extensiva para adultos. Com Paulo Freire, na década de 60, a EJA
ganhou características próprias que a diferenciava do ensino regular,
tornando-a muito mais atrativa, próxima e eficaz da realidade da população
analfabeta.
Durante o governo militar, na
década de 70 e 80, surge o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), que
como o nome diz limitava-se a levar a alfabetização funcional a população de
jovens e adultos, principalmente das zonas rurais e periferias. O Mobral se
diferenciava do método de Paulo Freire, basicamente, por possuir um material
uniforme, sem levar em consideração as características particulares de cada
comunidade atendida, sem uma cumplicidade entre o método e o estudante e sem despertar
uma consciência crítica.
Desde aquela época, reclama-se do
alto custo para manutenção da EJA, mesmo que lá na sala de aula a estrutura
esteja abaixo das necessidades mínimas. Outros tantos técnicos das secretarias
de educação e políticos alegavam que não valia a pena ‘investir em quem não
consegue aprender’. E ainda quem dissesse que ‘os analfabetos vão morrer em
poucas décadas e que era necessário focar na educação das crianças’ e que ‘o
retorno econômico da EJA para o Brasil é mínimo’.
E com essa visão distorcida,
ignorante e discriminatória a EJA foi sendo empurrada até então. Os
professores, sem material, sem formação adequada, vivendo em ambientes hostis (tendo
muitas vezes de sair correndo da escola à noite por conta dos episódios de
violência na comunidade), são tidos como preguiçosos e incapazes.
Desde que estou na rede municipal
de educação de Salvador ouvi muitos gestores dizendo que o turno noturno não
lhes acrescentava um centavo ao seu salário e que se criássemos problemas eles
podiam acabar com o turno a qualquer momento. É eu sei isso é assédio – mas é
assim que acontece. Tenho até uma advertência escrita, que eu guardo como troféu,
quando eu ousei discordar de uma vice quando ela ameaçou senhoras e senhores de
idade dizendo-lhes que “o noturno não era prioridade da escola”.
Hoje, nos deparamos com mudanças
no sistema de matrícula da EJA, que entre outras limita o prazo de inscrição a
janeiro, onde tradicionalmente esse público busca a escola depois do carnaval,
e transfere alunos para “escolas polos” muitas vezes distantes da residência
dos alunos. Gerando uma dificuldade para inserção desse aluno no sistema.
Por coincidência ou não empurra
professores e coordenadores lotados no noturno para o diurno onde existe um déficit
devido à necessidade de cumprimento da reserva de jornada das pedagogas daquele
turno. Para mim, um jeito fácil e conveniente de resolver essa demanda sem
fazer concurso e sem contratar os REDAS.
Como podemos perceber a educação
de jovens e adultos ainda não é vista como uma forma proativa de minorar o
problema da violência, do desemprego, da baixa renda. Sem contar que pais com
maior escolaridade levam os filhos a avançar ainda mais nos estudos. Sem isso,
oremos!






